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Projeto de financiamento ao jornalismo local já conta com 26 portais de notícias

No combate aos desertos de notícias, Mais Pelo Jornalismo quer ampliar alcance com apoio de entidades e associações

O Mais Pelo Jornalismo (MPJ), programa idealizado para fomentar o surgimento de novos veículos locais e segmentados ou renovar mídias já existentes, inicia o ano já com 26 portais lançados e outros 21 sites em processo de homologação. Desde o início do projeto, em novembro de 2024, 168 projetos foram cadastrados e a iniciativa tem a meta de apoiar com toda a infraestrutura tecnológica até mil portais.

De acordo com Fernanda Lara, idealizadora do projeto, o MPJ reforça seu papel como projeto de combate aos “desertos de notícias”, que são regiões descobertas pelo jornalismo local e que representam hoje 45% (2.504 de 5.570) dos municípios brasileiros, segundo o Atlas da Notícia.

“Essa ausência enfraquece o controle social, limita a transparência pública e compromete o direito à informação. Nossa ideia é formar uma comunidade de publishers, que, além da bagagem jornalística e da proximidade com as demandas de suas regiões, terão apoio para estruturar modelos de negócio viáveis e sustentáveis. Assim, atuamos exatamente onde o problema mais exige atenção”, disse Fernanda, que é CEO do I’Max, empresa de mailing de imprensa que financia o projeto.

Segundo um levantamento do MPJ feito no ano passado, o Brasil perdeu 13.147 veículos jornalísticos desde 2014, entre jornais, rádios, TVs e portais que encerraram suas atividades. Embora 10.795 novas mídias tenham surgido no período, o saldo permanece negativo (2.352 de déficit), evidenciando um processo de esvaziamento do ecossistema jornalístico no país

Quatro das cinco macrorregiões brasileiras são atendidas, chegando a oito estados e 13 localidades, sendo que vários portais atendem também os arredores, contribuindo para reduzir desertos e semidesertos de notícias. Os sites são: Voz do Vale (Vale do Jequitinhonha/MG); Folha de Mauá; Foca e Informa (Vale do Curu/CE); Porto + Notícias (Porto Seguro/BA); Chuville (Joinville/SC); Jornal da Baixada (Rio Branco/AC); Professor Repórter (Feira de Santana/BA); Xingu em Pauta (região do Xingu e do Pará); Realidade Interativa (Barretos/SP); O Diário 24h (Rio das Ostras/RJ); O catarinão (Jardim Catarina, em São Gonçalo/RJ). São Marcos On Line (São Marcos/RS); e Expresso Monlevade (João Monlevade/MG).

Outros 13 portais segmentados também fazem parte da iniciativa: Barraco Rap (cultura); Blog do Armindo (tecnologia); TED RH (recursos humanos); Conexão AgroVale (agro); Giro da Lore (revista eletrônica); Envolverde (meio ambiente e sustentabilidade); Portal Esther (meio ambiente e nutrição); Credinews (finanças e educação financeira); Palestras e Eventos (guia de eventos); Revista Piloto Ribeirão (aviação); Portal Imprensa (imprensa); Business & Beauty (beleza); e Página de Saúde (saúde).

Todos possuem um layout personalizado de portal e de fácil utilização, bem como toda infraestrutura tecnológica necessária para a operação. Não há contrapartidas financeiras, mas os publishers precisam atender a preceitos éticos do jornalismo (por exemplo, são proibidos de publicar fake news) e devem manter os sites ativos.
Publishers destacam melhorias

Jaqueline Falcão, do “Página de Saúde”, havia perdido todo conteúdo de seu trabalho por causa da invasão de hackers. “Com o apoio do MPJ, consegui realizar meu sonho novamente. E o melhor: ter uma plataforma que oferece segurança para nós, além de ser muito prática para trabalhar”, declarou.

Já Kinderly Brandão, do “Expresso Monlevade”, conseguiu, por meio do projeto, pôr em prática o que já sonhava havia três anos. “Cada matéria autoral é muito recompensadora. Não é fácil fazer jornalismo local. Precisa de persistência, muitas vezes faltam recursos, e mídias não jornalísticas e sensacionalistas desinformam e apavoram a população. Aos poucos, tenho construído uma pequena comunidade, facilitando a distribuição do conteúdo. E o público vai reconhecendo o jornalismo profissional”, afirmou.

Esse reconhecimento pode ser visto em pesquisas recentes. Segundo o Pew Research Center (2024), 85% dos americanos consideram os veículos de notícias locais importantes para o bem-estar de suas comunidades. Esse impacto também se reflete no comportamento de consumo: dados do Google indicam que 78% das pessoas que fazem buscas por “algo perto de mim” no celular visitam uma loja física, e 28% dessas pesquisas resultam em compras.

“O jornalismo regional se apoia muito na relação de confiança construída ao longo do tempo. É comum que a população procure o nome do próprio veículo nos mecanismos de busca para acompanhar as últimas notícias da cidade ou da região. Essa perenidade fortalece o vínculo com a comunidade e consolida a mídia local como fonte legítima e permanente de informação”, apontou Lara.
Chamado continua
Com a capacidade de hospedar até mil portais, o MPJ segue aberto a publishers com veículos de comunicação estabelecidos ou jornalistas com experiência comprovada e projetos editoriais em andamento. A proposta é criar uma rede interligada, com troca constante de experiências e acesso facilitado a ferramentas que normalmente estão disponíveis apenas para grandes redações.

“Esse não é um projeto só nosso, pois precisa do apoio e da inteligência coletiva de quem já conhece o território. Queremos ouvir quem está na ponta, quem acompanha lideranças locais que têm compromisso com suas comunidades, mas que ainda não encontraram os meios de amplificar sua voz de forma estruturada e sustentável”, declarou Lara, que também é jornalista.

Entidades, associações e coletivos interessados em apoiar ou indicar possíveis nomes para participar, além dos próprios publishers, podem entrar em contato direto com a equipe do projeto através do e-mail cristine.gentil@i-maxpr.com.
Sobre o I’Max

O I’Max é líder no segmento de plataforma de mailing de imprensa no Brasil. A empresa conecta empresas grandes e pequenas a jornalistas das mais variadas mídias do país (como sites, TVs, rádios e jornais). Com a plataforma, assessores de imprensa e demais profissionais de Relações Públicas criam press releases, sugestões de pauta e demais conteúdos, selecionam os jornalistas certos usando filtros e disparam as informações para os e-mails atualizados dos profissionais de imprensa.