Como o iFood usou 600 drones para formar o rosto da Preta Gil no céu de Salvador
Equipamentos também foram usados para homenagear o Canarinho, mascote da Seleção de Futebol, e realçar a brasilidade da empresa. Show demandou dias de preparação e testes, incluindo uma base operacional, perto do Farol da Barra
Salvador, fevereiro de 2026 – No Carnaval de Salvador, o céu foi palco de duas homenagens em forma de espetáculo de drones realizadas pelo iFood. No circuito Barra-Ondina, em frente ao Farol da Barra, 600 dispositivos iluminaram a noite para celebrar o Canarinho, mascote da Seleção Brasileira, e a cantora Preta Gil, artista que marcou de forma profunda a música, o Carnaval da Bahia e a cultura brasileira. (Clique aqui para acessar os bastidores do show de drones).
A homenagem à Preta integrou a programação do Camarote Expresso 2222, que dedicou sua edição à artista com o enredo “Para sempre Preta no 2222”. Já o espetáculo do Canarinho celebrou a parceria do iFood com a Seleção Brasileira, transformando o céu da capital baiana em uma grande tela de luz.
O que o público viu durante poucos minutos no ar foi resultado de dias de preparação e de uma operação coordenada para que cada ponto de luz estivesse exatamente onde precisava estar.
Antes de decolar, muita organização
Para que o espetáculo ganhe forma, 13 profissionais atuam diretamente na operação. Em campo, são seis pessoas, entre piloto responsável e equipe técnica. Fora dali, outros profissionais cuidam da programação das imagens, das autorizações necessárias e da organização de toda a logística.
Os drones são operados a partir de uma base montada em área isolada ao lado do Farol da Barra. É dali que acontecem a decolagem, o controle e o acompanhamento do voo em tempo real , sempre respeitando as distâncias de segurança e sem sobrevoar o público.
A montagem da estrutura leva, em média, de três a cinco horas. Nesse período, são instalados os equipamentos de controle, organizadas as baterias e realizadas todas as checagens de segurança. Após o show, a desmontagem leva entre duas e quatro horas.
Um detalhe curioso: os drones decolam e pousam diretamente em suas próprias bases.
Como as imagens se formam no céu?
O show funciona como uma grande linha do tempo programada. Cada drone recebe instruções sobre onde precisa estar a cada segundo. Um sistema central garante que todos se movimentem de forma sincronizada, como se estivessem seguindo o mesmo relógio.
Durante toda a apresentação, a equipe monitora em tempo real informações como posição e nível de bateria até o pouso final.
Cada drone pesa, em média, 520 gramas, incluindo bateria e estrutura do aparelho. A distância mínima entre os dispositivos é de cerca de 1,5 metro, com o sistema fazendo ajustes automáticos para manter o espaço seguro. A altura do voo pode chegar a até 120 metros, conforme as autorizações e as condições do local.
Do Canarinho ao retrato de Preta Gil: o desafio da programação
O maior desafio da operação está na programação das imagens. O rosto de Preta Gil, por exemplo, levou cerca de 10 dias de trabalho até chegar à versão final. Retratos são considerados as imagens mais complexas em um show de drones, porque exigem que detalhes e proporções fiquem claros mesmo sendo formados apenas por pontos de luz.
No caso do Canarinho, o desafio foi garantir fluidez nas transformações – da bag do iFood ao mascote e às cinco estrelas – mantendo a imagem legível mesmo em movimento.
Tudo precisa funcionar com precisão. Se um drone sair alguns centímetros da posição prevista, o desenho pode perder definição.
Antes de subir, muitos testes
Antes de o público ver qualquer imagem no ar, o show passa por duas etapas de preparação. Primeiro, tudo é testado no computador. As imagens são simuladas digitalmente para ajustar movimentos, tamanhos e tempos. Depois, já em Salvador, são realizados voos curtos no próprio local para verificar se está tudo funcionando como previsto. Nesses testes, a equipe confere a força do vento, a estabilidade do sinal e se cada drone está respondendo corretamente. Só depois dessas checagens o espetáculo é liberado.
O clima também é decisivo. Os drones podem voar com chuva leve e ventos de até 38 km/h. Se as condições ultrapassarem esse limite, a equipe aguarda uma melhora. Caso não seja seguro, o show é cancelado e remarcado.
Quando tudo está conferido e seguro, começa a parte que o público vê. No céu, surgem imagens que parecem simples: um mascote ganhando vida, um rosto desenhado em luz, uma estrela ascendendo. No chão, uma equipe acompanha cada segundo até o pouso final.
O que parece leve e espontâneo é resultado de dias de programação, horas de montagem e uma operação cuidadosamente coordenada. No fim, a tecnologia quase desaparece. Fica a emoção.
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