Franquias de alimentação e entretenimento projetam recordes de faturamento para a Copa 2026
Com 74% dos brasileiros planejando gastos extras e projeção de US$ 41 bilhões de impacto global, redes nacionais profissionalizam a operação para transformar fluxo em margem operacional
A Copa do Mundo de 2026 não é apenas um evento esportivo para o setor de food service e franquias no Brasil, o torneio se consolidou como um catalisador financeiro de alta precisão. O cenário macroeconômico aponta para uma convergência favorável, já que o setor de franquias brasileiro, que superou o faturamento de R$ 300 bilhões em 2025, projeta um crescimento de até 10% para este ano. Esse movimento é impulsionado pela chamada “economia da conveniência e experiência”, onde empresas que utilizam inteligência de dados e gestão centralizada conseguem se descolar da média de mercado.
É o caso do Fancore Group, holding detentora da marca Agrobar, e da The Best Açaí, maior rede de self-service de açaí do país. Ambas as marcas, embora atuem em nichos distintos, utilizam o Mundial para testar a escalabilidade de seus modelos de negócio e maximizar a rentabilidade dos seus franqueados através de estratégias desenhadas sob medida para o comportamento do torcedor.
Engenharia de consumo e o fator Agrobar
Para o Agrobar, com 31 unidades já funcionando e outras dez que serão inauguradas em junho, e que opera sob o conceito de brasilidade e cultura sertaneja, a Copa é tratada como um ativo de engenharia financeira. A rede lança a “Copa Agro”, que terá cardápio diferenciado com drinks e comidas alusivas ao Mundial e espera um incremento de 50% no volume transacional durante os jogos, focando em converter o fluxo de 120 mil clientes esperados em faturamento direto. Segundo Pedro Elero, sócio-diretor do Fancore Group, o evento funciona como um “laboratório de EBITDA”, onde o marketing nacional é centralizado para que o franqueado foque exclusivamente na excelência operacional, acelerando o payback do investimento.
Saudabilidade e consumo digital na The Best Açaí
A The Best Açaí, com mais de 800 unidades, aposta em uma tendência clara de saudabilidade para o período. A rede lançou a linha “Sabores da Copa” e bolas colecionáveis para aumentar a recorrência. A estratégia é posicionar as lojas como pontos de encontro que oferecem uma alternativa refrescante e sensorial ao tradicional ambiente de bar, capturando um público que busca socialização com foco em bem-estar.
O panorama financeiro e as projeções do setor para o Mundial
O otimismo das redes encontra respaldo em projeções globais e indicadores de consumo doméstico. Estima-se que o impacto econômico global do Mundial chegue a US$ 40,9 bilhões, com uma parcela significativa sendo injetada diretamente no varejo de alimentação. No Brasil, pesquisas de intenção de compra indicam que aproximadamente 74% dos consumidores planejam realizar gastos extras durante o torneio, sendo que 51% deste público pretende concentrar seus investimentos especificamente em comida e bebida.
Especialistas do setor apontam que o tráfego de consumidores em dias de jogos da Seleção Brasileira pode registrar um aumento de até 18,8% em comparação a períodos normais. Para o setor de entretenimento, os horários dos jogos em 2026 são considerados estratégicos, favorecendo a ocupação média dos estabelecimentos, que deve ser 40% superior aos dias convencionais. Essa maturidade do franchising nacional, exemplificada pelo modelo de fábrica de franquias do Fancore Group e pela capilaridade logística da The Best Açaí, mostra que o lucro no grande varejo em 2026 não será fruto do acaso, mas da capacidade de processar dados em escala e convertê-los em experiência no ponto de venda.
